Carol Passos

Crônicas e percepções. Nem tudo que escrevo aqui é real

Quatro pessoas ajudaram a retirar o coração do corpo de uma baleia-azul encontrada morta no Canadá em 2016. Os cientistas disseram que o órgão era o maior que já viram na vida em todo o mundo. Pesava 180 quilos e media um metro e meio de comprimento.
A ciência estima que o meu e o seu coração, por padrão, devem ter 340 gramas e míseros 12 centímetros. Infelizmente, devo questionar que isso não deve ser certo, pois meu coração costuma encolher e expandir sem aviso prévio, por vezes quase sair pela boca, noutras esmagando meus pulmões, inchado e sedento.
O coração não é a origem das emoções, conforme dizem os cientistas. Mas eu aprendi que quando ele dói, se a gente massageia em círculos bem no centro do peito, entre a caixa torácica, a gente chora e depois se acalma. Aprendi que quando ele cresce demais, atinge quem está à minha volta como se o coração não fosse apenas capaz de dominar minhas ações, mas contaminar uma população inteira. Ou seja, o coração não apenas me sufoca ou me diverte, mas também entretém e desestabiliza os outros. Ele, muitas vezes, reprime, acolhe, outras vezes ele repulsa e entristece.

O coração é do tamanho do punho, só não disse de quem. Ele às vezes é pequeno igual uma bolinha de gude e salta pelo meu corpo sem ordem alguma, como se meu peito fosse máquina de pinball. Eu gosto dele desse tamanho, pois me faz cócegas e, geralmente, termina no meu sorriso de olhos miúdos e boca aberta. Mas é quando ele cresce que eu sinto mais. Eu não deveria ter tantos corações tatuados, pois eles se somam e fundem, eles se preenchem e inflam.
Meu gato gosta de dormir em cima do meu peito, ouvindo as batidas do meu coração. Quando ele era filhote, foi amparado pela moça que cuidou dele assim e se acostumou a buscar o conforto no meu compasso. Muitas vezes,quando ele se aninha em mim eu penso se o gato sabe o tamanho que meu coração está.
Gatos têm uma frequência cardíaca acelerada que chega a 150 batidas por minuto. Os cientistas estimam que seja o dobro do que pulam os dos humanos. Quando meu coração está imenso igual ao da baleia, meu gato vem do quarto miando com jeito de manha. Ele estica os braços, se tornando irresistível. Afasto o que for preciso pra juntar meu coração no dele. As batidas do gato ajudam as minhas a encontrar o ritmo e a desafogar. De repente, quando olho ao redor, os quatro gatos estão de um jeito ou do outro por perto. Eu tenho uma gata que só me olha, tenho uma que deita no colo, tenho outra que encosta a pata na minha perna. É isso, penso. Precisa de quatro gatos pra aliviar o peso de um coração de baleia.

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