Carol Passos

Crônicas e percepções. Nem tudo que escrevo aqui é real

Há histórias são extraordinárias e inesquecíveis. Ou quase. Ultimamente tudo que leio se desfaz e tive que cultivar o hábito de colar links em um diário virtual para não esquecer. Li que um oceanógrafo sentia falta do mar na pandemia, soube que no Japão um dia construíram uma montanha-russa, mas que ninguém podia gritar, por isso, colocaram uma placa escrito “Grite em seu coração”. Essa é a minha classificação de extraordinário. Algo que faz o canto da minha boca subir e dá vontade de guardar.
Como o leitor pode perceber, minha vida não tem nada de extraordinária. Já foi muito melhor, eu garanto. Mas estou há 125 dias em completa solidão. Eu tenho histórias muito boas, como o dia que um rapaz me trocou pela garçonete em um encontro. Ou quando recebi um pedido de namoro de quem não amava. Parece trágico e difícil, mas tudo é uma questão de ponto de vista.
Você já viu o filme Animais Noturnos? Esses dias eu estava assistindo na sala da meu apartamento. É um filme tenso, uma história da qual você não se desliga. Amy Adams estava na banheira quando ouvi um barulho grave ecoar no corredor do prédio. A princípio, não entendi o que era. Passava das 11 horas da noite e tudo era silêncio, a não ser o som da televisão.
Não me incomodei, mas segundo depois entendi que era um urro. Um grito abafado, curto que chegava ao corredor da parede da casa do vizinho. Nada se moveu no prédio, muito menos eu. Odeio barulho em horas erradas. Em horas certas também.


(Escrito em 6 de agosto de 2020)

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