Carol Passos

Crônicas e percepções. Nem tudo que escrevo aqui é real

quantas vezes é possível acender o coração sem deixar que ele perca o controle e se consuma até virar pó? se acontecesse de uma só vez, tudo bem. seria mais fácil se não houvesse o vento que assobia nas janelas e que eu chamo de sul sem ter certeza pra onde ele vai.
o medo maior é que o vento sul carregue tudo que há de bom, cada palpitação mais agitada e no peito fique apenas um espaço oco e disforme. lá fora, as pessoas hão de olhar e dizer: “ali já houve um coração, vítima de pequenos focos de incêndio e de falsos alarmes. voou em um dia de verão em pedaços tão pequenos que agora se mistura à areia de uma praia qualquer”.
mais seguro cerrar qualquer fresta, esconder o pouco que ficou. é preciso que ele sobreviva.
em dias em que ele está miúdo e contido, dolorido e triste, só dói quando respiro. em outros ele se sustenta, engrandece, ganha coragem, acende e pega fogo sem chance para um plano de fuga. quando acontece, eu me seguro, corro fechar as janelas porque o vento sul vai chegar. ele atiça os gatos, faz a casa tremer, carrega a chuva e, com ela, leva tudo que poderia mudar.

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