Carol Passos

Crônicas e percepções. Nem tudo que escrevo aqui é real

sonhei que estava no shopping lotado com várias pessoas e balões por todo lado. fiz algumas compras pesadas, que não sei o que eram, mas as coloquei em um carrinho pra ser mais simples de carregar.

entramos no elevador eu, o carrinho, uma mulher com um menino segurando vários balões, um deles amarelo, do meu tamanho, no formato de uma pessoa. eu tenho fobia de balões. como se não bastasse, ela estava cheia de compras. parecia não ter espaço pra mais nada quando entra o Brian Baumgartner, caracterizado igual o Kevin em The Office. ele me empurra contra o balão humano e fico prensada. cara a cara com a borracha, estou sem ar, suando frio e chorando em silêncio, me esforçando pra ninguém notar.

o elevador para e nós ficamos ali por horas. a mulher, então, começa a estourar os balões pequenos. e eu acho uma boa estratégia, embora seja uma pequena tortura, mas torço pro balão humano sobreviver, pois ele estouraria no me rosto e isso me pareceu algo que eu não conseguiria suportar.

eu sofro em silêncio e a porta do elevador se abre. estamos sozinhos no shopping em um andar alto demais pra irmos pelas escadas. não havia escada rolante ou, pelo menos, não cogitamos essa alternativa. 

coloco todas as minhas compras em uma só sacola imensa e iniciamos uma saga: eu, a mulher, o menino, Brian Baumgartner e o balão humano atrás de um elevador que funcione. 

encontramos um pequeno, do tamanho do menino. ele entra e a mulher também. Brian se encolhe e me estende a mão. estamos de fora eu, minha sacola de compras do tamanho de uma tv de tubo de 29 polegadas e o balão humano.

olho o menino, que aparentava ter uns cinco anos, dobro o balão do jeito que dá e entrego pro Brian. anuncio: “eu vou quando der, podem descer”, mas eles não desistem. não vão me deixar pra trás.

o menino joga o boneco pra fora do minielevador e eu entro, ajeitando as compras. quando percebo, estou chorando de mãos dadas com o menino e ele encostado com a cabeça no meu ombro direito. chegamos ao térreo e todos comemoramos com abraços.

destroçada, com meu pacote nas duas mãos, olho pra eles e digo antes de ir embora: “vocês já repararam que as lojas ruins ficam no térreo?”.

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